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Análise Fatorial e Pensamento Divergente

Segundo Guilford[1], a mente abrange 120 fatores ou capacidades diferentes – dos quais 50 são conhecidos –, formando duas classes principais: capacidades de memória e capacidades de pensamentos.

As capacidades de pensamentos são divididas em categorias, espécies e fatores, conforme o quadro a seguir:

Quadro 1: As categorias de pensamento conforme Guilford
Categoria Descrição
Cognitivas Reconhecimento de informações
Produtivas Uso de informações 
Avaliativas Julgamento daquilo que é reconhecido ou produzido em função da adequação às exigências. 

A fatoração de Guilford ainda determina uma segunda divisão para as categorias produtivas, identificando duas espécies de pensamentos: o convergente e o divergente. O pensamento convergente move-se em direção a uma resposta determinada ou convencional, a partir de um sistema de regras previamente conhecido. Já o divergente tende a ocorrer quando o problema ainda não é conhecido ou quando não existe ainda método definido para resolvê-lo. A criatividade, portanto, estaria grandemente localizada no pensamento divergente, que abrange onze fatores, apresentados no quadro 2.

Quadro 2: Fatores do pensamento divergente segundo Guilford
Fatores Descrição
Fluência vocabularCapacidade de produzir rapidamente palavras que preenchem exigências simbólicas especificadas.
Fluência ideativaCapacidade de trazer à tona muitas idéias numa situação relativamente livre de restrições, em que não é importante a qualidade da resposta. 
Flexibilidade semântica espontâneaCapacidade ou disposição de produzir idéias variadas, quando livre o indivíduo para assim proceder. 
Flexibilidade figurativa espontâneaTendência para perceber rápidas alternâncias em figuras visualmente percebidas. 
Fluência associativaCapacidade de produzir palavras a partir de uma restrita área de significado. 
Fluência expressionistaCapacidade de abandonar uma organização de linhas percebida para ver outra. 
Flexibilidade simbólica adaptativaCapacidade de, quando se trata com material simbólico, reestruturar um problema ou uma situação, quando necessário. 
OriginalidadeCapacidade ou disposição de produzir respostas raras, inteligentes e remotamente associadas. 
ElaboraçãoCapacidade de fornecer pormenores para completar um dado esboço ou esqueleto de alguma forma. 
Redefinição simbólicaCapacidade de reorganizar unidades em termos das respectivas propriedades simbólicas, dando novos usos aos elementos. 
Redefinição semânticaCapacidade de alterar a função de um objeto ou parte dele, usando depois de maneira diversa. 
Sensibilidade a problemasCapacidade de reconhecer que existe um problema. 

De todos os fatores apresentados, diversos autores – especialmente os cognitivistas – consideram o último como o mais importante para a criatividade.


[1] Conforme citado por Alencar, os pontos de vista de Guilford encontram-se em três obras principais: Creativity. The American Psychologist, 1950, p. 444-454; Personality. New York: McGraw-Hill, 1959; e, com P. R. Merrifield, The structure of intellect model: its uses and implications. University Park, California: University of Southern California Press, 1960.